Descubra o Centro de Operações Aeroportuárias (COA) de Congonhas, o coração pulsante que orquestra a complexa dança de aeronaves e passageiros para manter a eficiência e pontualidade.
Todos os dias, milhares de passageiros se dirigem ao aeroporto de Congonhas para embarcar em seus voos. As informações exibidas nos painéis, como companhia aérea, número do voo, destino, portão e status, parecem surgir por mágica, mas por trás de cada atualização existe uma orquestração complexa.
Você já se perguntou quem alimenta esses dados, por que os portões de embarque mudam ou como tudo isso é gerenciado em um dos aeroportos mais movimentados do Brasil? A resposta está no Centro de Operações Aeroportuárias (COA), o verdadeiro cérebro por trás da aviação em Congonhas.
Em um acesso exclusivo, o canal Aero, Por Trás da Aviação, mergulhou nos bastidores do COA para desvendar as complexas operações aeroportuárias que garantem a segurança, a eficiência e a pontualidade de quase 600 voos diários, conforme revelado em seu vídeo.
O Coração da Operação: O Centro de Gerenciamento Aeroportuário (CGA)
No coração do COA está o Centro de Gerenciamento Aeroportuário, conhecido como CGA. Susana, coordenadora do COA, explica que a concepção deste centro foi pensada para promover a integração, a rapidez e a agilidade das decisões. Congonhas, apesar de ser um pátio relativamente pequeno para a sua enorme demanda, exige máxima eficiência.
Os pilares que guiam todas as operações aeroportuárias são claros: segurança, eficiência e pontualidade, elementos que todo passageiro busca ao viajar. É um desafio e tanto, já que o aeroporto de Congonhas movimenta cerca de 60.000 passageiros por dia e realiza impressionantes 590 voos diariamente.
A Susana ressalta que o passageiro geralmente enxerga apenas a sua própria posição, esquecendo a magnitude da operação. Para lidar com esse volume, o aeroporto, administrado pela AENA, está inclusive passando por reformas para ampliar sua capacidade, otimizando ainda mais a gestão de voos.
O Planejamento Noturno e os Desafios do Dia a Dia
A principal função do COA, entre outras, é a alocação de recursos. Para isso, o planejamento de voos é fundamental. A madrugada é o período crucial em que a equipe monta o “plano A” para o dia seguinte, utilizando as informações fornecidas pelas companhias aéreas.
Essas informações incluem detalhes sobre a aeronave, o voo, o horário, a matrícula, o número de passageiros e até mesmo se há passageiros com necessidades especiais a bordo. Com quase 600 operações aeroportuárias por dia, é natural que nem tudo saia conforme o previsto, e por isso, um “plano B” de alterações já é esperado.
As decisões de alteração são baseadas em critérios rigorosos, com o objetivo principal de colocar o maior número possível de passageiros nas pontes de embarque, os chamados fingers. Isso garante maior conforto e agilidade para a operação, mostrando a prioridade no bem-estar do passageiro, mesmo diante de imprevistos na gestão de voos.
A Equipe por Trás dos Painéis e das Pistas
A equipe do COA trabalha em sintonia para que as informações cheguem corretamente aos passageiros e que as operações aeroportuárias ocorram sem problemas. Mateus, por exemplo, é o responsável por alocar os dados das companhias aéreas e ajustá-los, alimentando os painéis de voos que vemos no aeroporto.
Ele também decide a alocação das aeronaves: se um avião ficará pouco tempo em solo, pode ocupar uma posição de finger, liberando posições remotas para aeronaves que precisam de mais tempo. Já Marcelo monitora o início e o final das operações, desde o pushback, quando a aeronave é empurrada para trás, até o estacionamento final.
Mayara, do CGA, é o ponto de contato direto com as companhias aéreas e atua na gestão de contingências. Seja uma arremetida, mudanças meteorológicas ou qualquer outro imprevisto que afete os voos, ela comunica as partes envolvidas para uma rápida resolução. Lilian, por sua vez, coordena os ônibus que transportam passageiros para as 18 posições remotas de embarque e desembarque, garantindo que tudo ocorra no tempo certo e com a quantidade de veículos adequada.
A Pontualidade de Congonhas e o Mistério da Troca de Portões
O aeroporto de Congonhas é reconhecido mundialmente pela sua pontualidade. O aeroporto já alcançou a terceira posição global na categoria “large airports” e, em meses como junho e julho de 2024, chegou a ocupar o primeiro lugar. A pontualidade diária é monitorada em tempo real, atingindo picos de 100% em algumas faixas horárias.
Uma dúvida comum entre os passageiros é a mudança repentina de portões, especialmente quando um voo é transferido de um finger para uma posição remota. A Susana esclarece que essa alteração não é de interesse do aeroporto nem das companhias aéreas, pois gera retrabalho e desconforto.
No entanto, a aviação lida com muitas variáveis e imprevistos, como a manutenção de uma aeronave. Se o avião programado para um finger entra em manutenção, a companhia aérea pode precisar usar outra aeronave, que esteja em uma posição remota. Mover um avião em Congonhas, um aeroporto pequeno, poderia parar todas as operações aeroportuárias, causando atrasos ainda maiores.
Portanto, a troca de portão, embora incômoda para o passageiro, é muitas vezes a solução mais rápida para minimizar o impacto no cronograma geral e manter a pontualidade do aeroporto. Os bastidores do COA revelam uma complexidade que vai muito além do que os olhos veem, buscando sempre o equilíbrio entre eficiência, segurança e o melhor atendimento possível aos passageiros.

