Uirapuru A-122: Testamos o Legado Aeronáutico Brasileiro que Completa 50 Anos em Voo

Uirapuru A-122: O Clássico Brasileiro que Continua Voando Alto Após Quase 50 Anos

Em Poços de Caldas, Minas Gerais, a AERO Magazine teve a oportunidade de pilotar o Uirapuru A-122B PP-KBO, um exemplar fabricado em 1978, último ano de produção deste lendário avião de instrução brasileiro. A experiência a bordo revelou as qualidades que mantêm o Uirapuru vivo na memória e nos céus do país.

O Uirapuru, também conhecido como T-23 na Força Aérea Brasileira (FAB), foi um marco na aviação nacional. Projetado por José Carlos de Sousa Reis e Carlos Gonçalves, o monomotor biposto de asa baixa se destacou pela sua concepção e desempenho, tornando-se um dos treinadores mais importantes da indústria aeronáutica brasileira.

Com 126 unidades produzidas entre versões civis e militares, o Uirapuru deixou um legado significativo. Conforme informações divulgadas pela AERO Magazine, o exemplar testado, o PP-KBO, está em operação no aeroclube mineiro desde 1993, participando da formação de inúmeros pilotos.

Um Ensaio em Voo Revelador

O ensaio em voo, realizado em Poços de Caldas, permitiu avaliar o comportamento do Uirapuru A-122B em condições reais. Durante um voo local de 30 minutos, o avião demonstrou comandos harmoniosos e uma excelente coordenação em curvas. O estol mostrou-se previsível e a recuperação foi feita sem dificuldades, com uma perda de altitude controlada de cerca de 400 pés.

A inspeção pré-voo detalhada, desde a fuselagem até os componentes do motor, evidenciou o cuidado com que o PP-KBO é mantido. A estrutura semimonocoque e a atenção aos detalhes, como a verificação dos níveis de óleo e fluido de freio, são cruciais para a segurança e longevidade da aeronave.

História e Legado do “Zarapa”

O Uirapuru nasceu de um projeto inicial de José Carlos de Sousa Reis, inspirado no Falcão A-80. A parceria com Carlos Gonçalves, proprietário da Aerotec, deu origem ao Uirapuru A-122. O primeiro protótipo voou em 1965, mas um trágico acidente em 1968, com o piloto de testes Major-Aviador José Mariotto Ferreira durante um voo de avaliação, levou a aprimoramentos no projeto.

Após o acidente, foram identificadas melhorias necessárias no leme vertical. A instalação de uma aleta ventral foi a solução definitiva para garantir a segurança em manobras como parafusos. Este aprimoramento foi fundamental para que o Uirapuru, apelidado de “Zarapa” na Academia da Força Aérea, se tornasse um treinador confiável.

Produção e Desativação na FAB

A produção do Uirapuru A-122, designado T-23 pela FAB, iniciou-se com um contrato para trinta unidades em 1967. O avião substituiu modelos mais antigos na instrução primária de cadetes. Foram fabricadas duas versões principais: a militar (A-122A) e a civil (A-122B), destinada aos aeroclubes.

Ao longo dos anos, a FAB realizou upgrades nas aeronaves, incluindo a substituição do canopi por um modelo mais aerodinâmico. Em 1984, a Academia da Força Aérea desativou seus “Zarapas”, e as unidades remanescentes foram repassadas a aeroclubes. O alto custo de manutenção levou à desativação definitiva e à doação de algumas aeronaves para a Bolívia.

O Voo de Celebração

A experiência de voo no PP-KBO foi marcante. Os comandos do Uirapuru são descritos como harmoniosos, com boa coordenação em curvas e uma resposta previsível. Manobras básicas, como curvas com alta inclinação e estols, foram realizadas com facilidade, demonstrando a aptidão do avião para a instrução.

O pouso, realizado sem o uso de flaps, foi suave, evidenciando a estabilidade da aeronave. O Uirapuru A-122B provou ser um avião robusto e confiável, um verdadeiro clássico que merece ser lembrado pela sua contribuição à aviação brasileira.

Especificações Técnicas do Uirapuru A-122

Modelo: Uirapuru A-122

Fabricante: Sociedade Aerotec Ltda.

Motor: Lycoming O-320-B2B, 160 hp

Envergadura: 8,50 m

Comprimento: 6,50 m

Peso máximo de decolagem: 840 kg

Velocidade máxima: 227 km/h

Alcance: 800 km

Menu